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Vereador revela dívida milionária do hospital de Juruaia



Em 18/03/2011 - Vereador revela dívida milionária do hospital de Juruaia

A reunião da Câmara de Juruaia ocorrida no dia 14 de março foi marcada por diversas polêmicas. O atendimento no hospital Monsenhor Genésio foi o principal fator de debates. Na próxima edição, confira a opinião dos vereadores sobre a situação das estradas rurais e rejeição da Câmara junto à população.

 

CONTRA O COMÉRCIO AMBULANTE –Através de ofício ao poder Legislativo, o presidente da ACIJU – Associação Comercial e Industrial de Juruaia, João Carlos Iório, solicitou a criação de uma lei que proíba o trânsito de ambulantes de outros municípios na cidade de Juruaia.

O dirigente informou que a ACIJU tem notado um número cada vez mais freqüente de ambulantes de outros municípios transitando livremente pelas ruas da cidade oferecendo sapatos, artigos artesanais, utensílios domésticos, alimentos, roupas, entre outros. O fato vem dificultando cada vez mais o trabalho da associação comercial na valorização do comércio local, uma vez que os ambulantes também oferecem produtos que os comerciantes do município também oferecem à população.

Para João Carlos Iório, a criação da lei citada anteriormente contribuirá para a conquista de novos associados para a ACIJU e valorizará o comércio local.

 

MICRO EMPRESA – Através de requerimento, o vereador Rodrigo Luis Dias da Silva (PP) solicitou o encaminhamento ao Executivo do anti-projeto de lei que institui a Lei Geral Municipal da Micro Empresa e do Micro Empreendedor Individual. Segundo ele, a proposta contempla segmentos da sociedade que hoje fica na informalidade e alheio a benefícios futuros, inclusive de aposentadoria. Com o “detalhamento” da lei no município, Juruaia poderá sair na vanguarda, gerando horizontes de negócios e arrecadação para a prefeitura, entre outros aspectos positivos.

 

ABONO AOS PROFESSORES –Foi aprovado por unanimidade, em turno único, projeto de lei autorizando o Executivo a conceder abono pecuniário aos professores das séries iniciais do ensino fundamental para a melhoria da qualidade de aprendizagem na leitura escrita e matemática através de curso de mobilização da qualidade da educação, em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto. O valor é de R$ 60,00 mensais, sendo concedido pelo prazo de dez meses.

 

BENS PÚBLICOS –Foi aprovado por unanimidade, em turno único, projeto de lei autorizando o Executivo a proceder a desafetar e efetuar a venda de bens imóveis, materiais obsoletos, inservíveis e sucatáveis pertencentes ao município, com o escopo de levantar recursos para a compra de bens e execução de serviços para o desenvolvimento do município de Juruaia. Argumentou que diversos bens imóveis estão sucateáveis pelo tempo de uso, tornando-se inservíveis, sem condições de recuperação ou custo de recuperação inviável.

Durante o debate do projeto, o vereador Rodrigo Luis (PP) afirmou que a garagem da prefeitura esta parecendo um “cemitério de veículos”.

 

AJUDA AO HOSPITAL GERA POLÊMICA -Foi aprovado por unanimidade, em turno único, Decreto Legislativo autorizando o presidente da Câmara a proceder a devolução de numerário ao Executivo no valor de R$ 20 mil. O recurso, por indicação do Legislativo, o valor devolvido deverá ser utilizado para subvencionar o Hospital Monsenhor Genésio. O repasse deverá ocorrer em 10 parcelas iguais e consecutivas, a partir do mês de março.

 

HOSPITAL TEM DÍVIDA MILIONÁRIA -O vereador Rodrigo Luis (PP) lembrou que o auxílio ao hospital teve início a partir da independência financeira da Câmara, através do então presidente Juraci Porfírio de Souza. Manifestou que a saúde pública cada vez mais vai precisar de ajuda do poder público (Executivo e Legislativo) devido à omissão do governo federal. Citou que a administração anterior contribuía com o valor de R$ 32 mil/mês e o governo atual repassa o valor de R$ 45 mil/mês. Porém, o valor ainda não é suficiente para suprir as necessidades da entidade. Manifestou seu entendimento de que a prefeitura poderia repassar R$ 50 mil, pois deixou de repassar R$ 11 mil para o Legislativo. Contou que verificou o problema de falta de medicamentos no hospital. Revelou ainda que a entidade esta perdendo recursos pela falta de uma certidão negativa de débito, pois tem uma dívida “impagável” superior a R$ 1 milhão.

- O presidente Carlos de Castro (“Carlinho da Babilônia” – PSDB), revelou que a entidade foi o pedido de repasse de R$ 3 mil/mês pela Câmara. Analisando a situação, entendeu ser possível a contribuição de R$ 2 mil/mês. Mesmo assim, garantiu o empenho no sentido de amenizar o problema da entidade. Comentando sobre a dívida existente, sem procurar culpados, o presidente indagou sobre a falta de providências até chegar a este ponto. Acredita que é difícil negociar a dívida. Acrescentou que somente a ajuda da prefeitura e câmara não será suficiente para manter o funcionamento do hospital.

- O vereador Toniel Alves da Trindade (PMDB) destacou a importância do debate, parabenizando o presidente pela contribuição. Confirmou a dívida existente na entidade com o sistema previdenciário. Sem a certidão negativa de débito, o hospital fica impedido de celebrar convênio. Toniel contou que o deputado federal Carlos Melles (DEM) chegou a colocar emenda para o hospital no valor de R$ 107.800,00. Porém, o recurso acabou sendo perdido exatamente pela falta da citada certidão. O vereador não acredita que o hospital corre o risco de fechar. Para ele, com a ajuda do poder público, pagamento de plano e campanhas de arrecadação, será possível manter o funcionamento. Mas reconheceu que isto acontecerá com certa precariedade.

- Citado pelo colega Rodrigo, o vereador José Vanildo Martins (“Nego do Zote” – PMDB) lembrou que já liderou uma campanha em prol do hospital, quando foram arrecadou 42 bezerros junto à comunidade.

 

ATENDIMENTO E OUTROS PROBLEMAS NO HOSPITAL – Em reunião anterior, o vereador Nilson Pedro Garcia (“Nilsinho” - PR) questionou o atendimento prestado por alguns funcionários do hospital. Agora, revela que foi procurado pela direção do hospital, mantendo o diálogo sobre o fato. A diretora Marli se colocou à disposição dos vereadores para os entendimentos necessários quando surgirem reclamações a respeito do atendimento. Nilsinho sugeriu que a Câmara disponibilize um espaço ou forma de participação da comunidade para críticas e sugestões. Esclareceu que sua intenção não foi apenas criticar, mas contribuir para que melhorias aconteçam. No final, o vereador elogiou a atitude da diretora, reconhecendo sua vontade de melhorar o atendimento e corrigir os possíveis erros.

- O vereador Edson Joaquim Donizete da Silva (“Edson Ponte Preta” - PMDB) revelou grave problema no hospital, que esta sendo acionado pela Vigilância Sanitária. Para solucionar o caso, a prefeitura estava cedendo pedreiros, o que não mais esta acontecendo. Pessoas doaram reformas de quartos e banheiros. Citando a necessidade de colocação de piso em corredor, Edson sugeriu que cada um dos nove vereadores faça a doação de 3 dias de pedreiro ao hospital, totalizando 27 dias de trabalho. Vários vereadores se manifestaram, considerando positiva a sugestão. Porém, revelaram que já estão sobrecarregados, ajudando em diversas frentes no município.

- O vereador Lázaro Cirilo Coelho (“Lazinho Coelho” - PSDB) relatou que manteve contato com a diretora Marli. Para ele, as pessoas não devem reclamar, pois entende que todos buscam prestar o melhor atendimento possível. Comentou que na última semana, acompanhando um cidadão, ficou admirado com o bom atendimento prestado.

- O vereador Agnaldo Marques de Rezende (“Pachola” - PSC) comentou que muitas pessoas estão não estão respeitando a portaria do hospital, chegando a invadir e exigir o atendimento por determinado médico. Isto acaba gerando a reação mais firme dos funcionários. Também acabam exigindo leitos melhores em detrimento às pessoas que pagam o plano. Em seguida, Pachola lembrou que há dois anos promoveu uma festa e arrecadou R$ 52 mil. Assim, questionou a aplicação do dinheiro, pois ainda não recebeu uma resposta por parte da direção do hospital.

- O vereador José Podadeira Neto (“Zito Podadeira” – PSDB) elogiou a atitude do presidente, fazendo a devolução do numerário para destinação ao hospital. Reconhece que o volume é pouco, mas disse que “antes pouco do que nada”. Lembrou que na sua gestão como presidente também procurou ajudar. Corroborou com as palavras do colega Pachola, manifestando que a população cobra, mas também tem sua parcela de culpa.

Fonte: A Folha Regional